Philip K. Dick - Do Androids Dream of Electric Sheep? x Blade Runner

Philip Kindred Dick nasceu em 16 de dezembro de 1928, em Chicago, nos Estados Unidos. Sua vida foi marcada por dificuldades pessoais, problemas financeiros e uma extraordinária produção literária. Desde jovem demonstrou grande interesse por literatura e filosofia. Na adolescência, já lia intensamente ficção científica, tornando-se particularmente interessado em histórias que questionavam a própria natureza da realidade. Começou a publicar contos de ficção científica na década de 1950. Seu primeiro romance, “Solar Lottery”, foi publicado em 1955. A partir daí, produziu uma quantidade impressionante de romances e contos, entre suas obras mais importantes estão: “The Man in the High Castle” (1962) — O Homem do Castelo Alto, “Martian Time-Slip” (1964),“Ubik” (1969), “Flow My Tears, the Policeman Said” (1974), “A Scanner Darkly” (1977) — O Homem Duplo, e sua obra mais conhecida, “Do Androids Dream of Electric Sheep?” (1968), que deu origem ao filme “Blade Runner, o Caçador de Androides” (1982).

A grande obsessão de Philip K. Dick foi a pergunta: “O que é real?”, esse é provavelmente o tema central de praticamente toda a sua obra. Enquanto muitos escritores de ficção científica imaginavam principalmente tecnologias futuras, Dick estava mais interessado nas consequências psicológicas e filosóficas dessas tecnologias. Ele fazia perguntas perturbadoras: Como sabemos que aquilo que percebemos é verdadeiro? E se nossas memórias forem artificiais? E se uma pessoa que parece humana for uma máquina? E se uma máquina demonstrar sentimentos? O que realmente diferencia um ser humano de uma máquina? Essa preocupação aparece de maneira extraordinária em “Do Androids Dream of Electric Sheep?”.

A história se passa em uma Terra devastada por uma guerra nuclear, onde grande parte da população humana abandonou o planeta e foi viver em colônias espaciais. A destruição ambiental foi tão grande que muitos animais desapareceram. O protagonista é Rick Deckard, um caçador de recompensas encarregado de localizar e eliminar androides que fugiram das colônias espaciais e retornaram ilegalmente à Terra, o problema é que os modelos mais avançados são praticamente indistinguíveis dos seres humanos. Deckard utiliza um teste psicológico chamado Voigt-Kampff para tentar identificar os androides. O teste procura medir principalmente empatia. E aí está a grande questão filosófica do livro: Se uma máquina consegue demonstrar empatia, ela ainda é uma máquina? E, inversamente, se um ser humano não demonstra empatia, o que o torna humano?

O filme “Blade Runner” foi lançado em 1982, dirigido por Ridley Scott. o roteiro, porém, modifica bastante a história de Dick. O título, inclusive, não vem do livro de Philip K. Dick, foi retirado de outro projeto literário, de Alan E. Nourse, e posteriormente utilizado pelos produtores do filme. Apesar do filme ter sido inspirado diretamente na obra de Dick, não é uma adaptação literal. O filme transforma a história em uma espécie de filme noir futurista, no livro, eles são chamados de androides, no filme, de replicantes, organismos biológicos artificiais extremamente avançados. Os modelos Nexus-6 são tão sofisticados que possuem aparência, inteligência e emoções semelhantes às humanas, entretanto, têm uma vida útil de apenas quatro anos. Isso cria uma das maiores tensões do filme: O androide Roy Batty (Rutger Hauer) sabe que vai morrer e quer continuar vivo a qualquer custo. O monólogo do personagem Rick Deckard (Harrison Ford) ao final do filme resume toda a profundidade da situação: “...no fundo eles (os replicantes) só querem saber o que todos nós queremos: quem sou? De onde venho? Para onde vou? Quanto tempo tenho?”



 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

José Maviael Monteiro e Os barcos de papel

Charles Perrault - O pai da Literatura Infantil

Lúcia Hiratsuka - Tradição Japonesa na Literatura Infantil