Frank Herbert e "Duna" - O primeiro romance de ficção científica ecológico

 

Frank Patrick Herbert nasceu em Tacoma, Washington, em 8 de outubro de 1920 e foi um escritor de ficção científica e jornalista americano de grande sucesso comercial e de crítica. Antes de se tornar conhecido como romancista, trabalhou como jornalista, fotógrafo, redator e editor, experiências que contribuíram para seu interesse por política, sociedade e comportamento humano. É mais conhecido pela obra “Duna”(1965), e os cinco livros subsequentes da série. A saga de Duna trata de temas como sobrevivência humana, evolução, ecologia, e a interação entre religião, política e poder. O sucesso de “Duna” foi enorme, mas não imediato.

Herbert continuou a história com cinco romances Duna (1965), Messias de Duna (1969), Filhos de Duna (1976), Imperador-Deus de Duna (1981), Hereges de Duna (1984), As Herdeiras de Duna (1985). A série, posteriormente, foi expandida por seu filho, Brian Herbert, e pelo escritor Kevin J. Anderson, a partir de material e notas deixados pelo autor.

Uma das histórias mais interessantes sobre a origem do romance aconteceu em Oregon, em 1957: Herbert foi até a região de Florence para escrever uma reportagem sobre as enormes dunas de areia que ameaçavam estradas e construções. O Departamento de Agricultura dos EUA estudava maneiras de estabilizar as dunas utilizando vegetação. Herbert ficou fascinado pela possibilidade de modificar um ecossistema inteiro para controlar o avanço da areia. A reportagem nunca foi concluída, mas a pesquisa acabou levando Herbert a estudar profundamente desertos, ecologia, água e transformação ambiental. Ele chegou a afirmar que havia lido mais de 200 livros como preparação para “Duna”. Daí surgiu Arrakis, o planeta desértico do livro.

Uma das grandes inovações de Herbert foi tratar o planeta como um ecossistema completo. Areia, vermes, água, especiaria, clima, religião, economia e cultura estão interligados. A escassez de água, por exemplo, não é apenas um detalhe ambiental, ela determina os costumes, a arquitetura, a religião e até as relações sociais dos Fremen. O corpo humano praticamente se torna uma fonte de água. Os “destiltrajes (stillsuits)” foram concebidos para recuperar a umidade perdida através de suor e urina, por isso, entre os Fremen, derramar água é uma coisa extremamente grave, e até mesmo lágrimas possuem significado ritual.

Os Fremen possuem um projeto ecológico para transformar gradualmente partes do planeta, acumulando água e criando vegetação. Herbert estava interessado justamente na ideia de que uma alteração ambiental aparentemente pequena poderia produzir consequências gigantescas em escala planetária. Herbert fez uma escolha deliberada, em vez de transformar a tecnologia no centro da história, ele colocou no centro os seres humanos e instituições. Por isso, o universo de “Duna” possui computadores praticamente proibidos, enquanto habilidades humanas como memória, percepção, treinamento mental e capacidade estratégica são levadas a níveis extraordinários. Essa mistura explica por que o livro parece simultaneamente uma aventura espacial, um tratado político, uma história religiosa e um estudo de ecologia.

O filme, “Duna”, foi dirigido por David Lynch em 1984. Embora não tenha agradado nem aos críticos nem ao público, Frank Herbert gostou do filme. O filme também foi adaptado para vídeo e DVD. “Duna” foi transformado em uma minissérie de TV pelo Sci Fi Channel em 2000. Foi um sucesso comercial e o Sci-Fi Channel continuou a saga com outras minisséries em 2003, intituladas “Filhos de Duna” que misturas partes dos livros “O Messias de Duna” e “Os Filhos de Duna”. Em uma segunda adaptação cinematográfica, Duna, foi dirigida por Denis Villeneuve e lançado em 2021. Este, sagrou-se como um sucesso de crítica e público. O filme cobre apenas a primeira metade do livro e a segunda metade será abordada numa sequência, já que Villeneuve tem uma abordagem diferente para a história.


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