Moacyr Scliar - Max e os felinos x A vida de Pi
Moacyr Jaime Scliar nasceu em Porto Alegre, em 23 de março de 1937. Seus pais, José e Sara Scliar, eram judeus provenientes da região da Bessarábia, então pertencente ao Império Russo, que migraram para a América em busca de melhor sorte. Moacyr passou a maior parte da infância no Bom Fim, o bairro porto-alegrense onde se instalou a maioria dos judeus que escolheu a capital do estado para morar. Foi um dos grandes nomes da literatura brasileira contemporânea. Médico infectologista e escritor, publicou mais de 70 obras entre romances, contos, crônicas, ensaios e livros infantojuvenis. Sua escrita costuma misturar realidade, fantasia, humor, ironia e reflexão sobre identidade, imigração, preconceito e condição humana. Suas obras frequentemente abordam a imigração judaica no Brasil, mas também tratam de temas como o socialismo, a medicina (área de sua formação), a vida de classe média e vários outros assuntos. O autor já teve obras suas traduzidas para doze idiomas.
Suas obras incluem “A guerra no Bom Fim” (1972), “O exército de um homem só” (1973), “O Centauro no Jardim” (1980), “Max e os Felinos (1981)” e “O Mistério da Casa Verde” (2000). Sua obra mais conhecida, “Max e os felinos” (1981) é extremamente simbólica. O romance narra a história de Max Schmidt, um jovem alemão que foge do nazismo e, após um naufrágio, fica preso em um pequeno escaler com uma onça-pintada. Mais do que uma aventura, o felino simboliza os medos, traumas e ameaças que perseguem o protagonista durante toda a vida. É um exemplo clássico da maneira como Scliar utiliza o realismo fantástico sem abandonar o aspecto psicológico.
“Max
e os felinos” ficou ainda mais conhecido por uma polêmica. Quando
“A Vida de Pi” (2001) de Yann Martel foi publicado, muitos
leitores perceberam semelhanças com Max e os felinos: um náufrago,
um pequeno barco, um grande felino e a luta pela sobrevivência. O
próprio autor de “A Vida de Pi”, reconheceu que a ideia inicial
surgiu após conhecer a obra de Scliar (segundo ele, por meio de uma
resenha). Entretanto, afirmou que desenvolveu uma história
completamente diferente. Scliar considerou que havia uma inspiração
evidente na premissa, mas decidiu não mover um processo judicial.
Embora compartilhem a ideia básica de um homem dividido com um
grande felino em um barco, os romances seguem caminhos distintos. Max
e os felinos trata principalmente do medo, do trauma e da fuga do
passado. A Vida de Pi concentra-se em fé, imaginação, narrativa e
espiritualidade.

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