John Saul - Crianças, adolescentes, horror e tecnologia

John Saul nasceu em 25 de fevereiro de 1942, em Pasadena, Califórnia, e cresceu em Whittier. Antes de se tornar famoso, Saul passou anos trabalhando em diferentes empregos enquanto tentava se estabelecer como escritor. Ele chegou a publicar livros usando pseudônimos. Segundo sua biografia oficial, seu primeiro romance foi escrito quando perdeu inesperadamente o emprego; a venda lhe rendeu apenas US$ 200. A grande virada aconteceu com “Suffer the Children”, publicado em 1977. O livro tornou-se um enorme sucesso, vendendo cerca de um milhão de exemplares, e lançou Saul definitivamente no mercado de horror e suspense. A partir daí, construiu uma carreira extremamente prolífica. Entre seus romances estão: Punish the Sinners (1978), Cry for the Strangers (Chorai pelos estranhos, 1979), Comes the Blind Fury (Fúria Cega, 1980), When the Wind Blows (Quando o vento sopra, 1981), The God Project (1982), Nathaniel (1984), Brainchild (1985), Hellfire (1986), e muitos outros.

Uma característica muito interessante de Saul é a frequência com que crianças ocupam o centro de suas histórias. Mas elas raramente são apenas vítimas inocentes. Crianças podem ser a origem do mal, possuir poderes inexplicáveis, guardar segredos ou estar ligadas a acontecimentos sobrenaturais. Saul gosta de colocar a infância no caminho do inexplicável, e principalmente, ele explora alguns medos muito específicos: uma criança que vê aquilo que os adultos não conseguem ver, uma criança que ouve uma voz sobrenatural, uma criança que é escolhida por uma entidade, uma criança que carrega uma maldição do passado, uma criança que volta diferente, crianças que desaparecem, crianças que são vítimas de adultos, crianças que podem ser instrumentos do mal, uma criança do passado que estabelece contato com uma criança do presente.

Há alguns elementos recorrentes no estilo de Saul que funcionam muito bem: A criança como porta de entrada para o sobrenatural - Em vez de apresentar imediatamente um monstro ou uma entidade, Saul coloca uma criança em uma situação que os adultos inicialmente consideram normal. A casa como personagem - A casa não funciona simplesmente como cenário, ela tem história, memória e atmosfera. O passado e o presente - A narrativa alterna a sensação de que algo aconteceu décadas (ou até séculos) antes com a percepção de que aquilo continua acontecendo no presente. Crianças assustadoras - Saul gostava particularmente de explorar o contraste entre a imagem cultural da criança (inocência, fragilidade, pureza) e a possibilidade de que exista algo terrível por trás dela. Isso explica por que John Saul foi tão popular entre leitores adolescentes. Há até relatos de leitores que descobriram Saul justamente na adolescência e ficaram especialmente atraídos porque seus protagonistas eram frequentemente adolescentes. “Quando o Vento Sopra”, Fúria Cega”, “Suffer the Children” e “Brainchild” formam quase uma pequena tetralogia informal para entender a obsessão de Saul pela infância como território do terror.

Outra curiosidade sobre Saul é que ele foi, de certa maneira, um escritor bastante tecnológico para sua época. Segundo seu próprio site, ele foi um dos primeiros autores a escrever seus livros em computador, utilizando um processador de texto Lanier chamado “No Problem”. Um de seus livros foi, segundo o próprio Saul, um dos primeiros a receber código de barras, outro foi utilizado pela Sony em seu primeiro leitor eletrônico de livros, um produto que acabou não obtendo sucesso. Seus livros foram publicados em mais de 35 países e teve milhões de exemplares vendidos mundialmente.



 

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