Ferenc Molnár - Os meninos da rua Paulo

 

Ferenc Molnár nasceu em 12 de janeiro de 1878, em Budapeste, então parte do Império Austro-Húngaro. Seu nome de nascimento era Neumann Ferenc. Seu pai era médico, e a família pertencia à comunidade judaica de Budapeste. Desde jovem, Molnár demonstrou interesse pela literatura e pelo jornalismo. Ainda adolescente, começou a escrever para jornais e, posteriormente, tornou-se um jornalista bastante conhecido. Isso influenciou bastante seu estilo literário: sua escrita tende a ser observadora, ágil e cheia de diálogos. Ele conhecia muito bem a vida urbana de Budapeste e retratou em seus textos tanto os ambientes populares quanto os círculos da burguesia. Foi também um escritor extremamente produtivo: escreveu romances, contos, crônicas, peças de teatro e adaptações. Molnár é um daqueles escritores cuja obra mais famosa acabou sendo tão associada à infância que, às vezes, esquecemos que ele teve uma vida bastante movimentada e uma carreira literária muito mais ampla. “Os Meninos da Rua Paulo” (A Pál utcai fiúk) é, sem dúvida, sua obra mais conhecida internacionalmente.

Publicado originalmente em 1906, “A Pál utcai fiúk” tornou-se sua obra mais famosa. A história acontece em Budapeste, no final do século XIX, e gira em torno de dois grupos de garotos: Os meninos da Rua Paulo, liderados por János Boka, e os camisas vermelhas, comandados pelo forte e imponente Feri Áts. No centro da disputa está um simples terreno vazio conhecido como grund. Para um adulto, aquele terreno poderia parecer insignificante, para os meninos, porém, ele é um mundo inteiro, é o lugar onde brincam, organizam seu pequeno exército, estabelecem regras, elegem líderes e constroem uma espécie de sociedade própria. O personagem mais memorável é provavelmente Ernő Nemecsek, ele é o único soldado raso entre os meninos da Rua Paulo, os demais possuem posições e títulos dentro da organização, mas justamente ele demonstra a maior coragem e lealdade. Molnár constrói, assim, uma espécie de inversão da hierarquia: o menino, aparentemente menos importante, torna-se o verdadeiro herói. O grund pode ser interpretado de várias maneiras, na superfície, é simplesmente o campo de brincadeiras dos meninos, mas simbolicamente ele representa: território → liberdade → pertencimento → amizade → identidade.
Por isso, a história pode ser lida como uma espécie de miniatura de uma guerra entre nações.

Apesar de ser frequentemente apresentado como um livro de aventuras para jovens, “Os Meninos da Rua Paulo” é uma história profundamente triste. Molnár não oferece uma aventura convencional na qual os heróis vencem e tudo termina bem. A vitória tem um preço. E esse é justamente um dos aspectos que fizeram o livro permanecer tão importante. O verdadeiro conflito não é exatamente entre "bons" e "maus", mas entre dois grupos que acreditam ter direito àquele território. É provavelmente por isso que, mais de um século depois da publicação, Nemecsek continua sendo lembrado como um dos grandes personagens da literatura juvenil mundial.



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