Will Eisner e as HQ's como literatura

 

William Erwin Eisner nascido no Brooklyn (NY) em 6 de março de 1917, foi um renomado quadrinista americano, que durante seus mais de setenta anos de carreira atuou em diversas áreas como desenhista, roteirista, arte-finalista, editor, cartunista, empresário e publicitário. Filho de judeus imigrantes oriundos do Império Austro-Húngaro, Eisner nasceu no distrito do Brooklyn, NY (EUA) onde passou sua juventude.

The Spirit é a história de um detetive mascarado, Denny Colt, um herói sem superpoderes que protege os habitantes da cidade fictícia de Central City. A série se destacou pela inovação dos enquadramentos quase cinematográficos, os efeitos de luz e sombra e as inovadoras técnicas narrativas, além da qualidade do roteiro e da arte. Sempre a presença de belas mulheres, cenas hilariantes, melodramáticas, mas que enfatizavam sobretudo o aspecto humano dos personagens.

Na época, quadrinhos eram vistos principalmente como entretenimento infantil ou revistas pulp. Eisner queria vender sua obra em livrarias tradicionais, então usou o termo “graphic novel” para diferenciá-la dos comics comuns. Embora não tenha inventado o termo, foi quem o tornou famoso com a publicação em 1978 de “Um Contrato com Deus” (A Contract With God), que consiste em quatro histórias acerca da vida no Bronx nos anos 30. O livro aborda sofrimento humano, perda, fé, pobreza e frustração espiritual, tudo ambientado em cortiços do Bronx, em Nova York. Depois desta obra, Eisner prosseguiu criando graphic novels com regularidade, como Life on Another Planet (1978), O Sonhador (The Dreamer, 1986), O Edifício (The Building, 1987), No Coração da Tempestade (In the Heart of the Storm, 1991), Invisible People (1991-92), entre outros.

Ele ajudou também a criar quadrinhos educativos para o exército dos EUA. Durante a Segunda Guerra Mundial, Eisner produziu HQs instrutivas para soldados. O personagem principal era Joe Dope e esses quadrinhos ensinavam manutenção de equipamentos, segurança e procedimentos militares, tudo com humor e narrativa visual eficiente. Isso ajudou a mostrar que os quadrinhos podiam ensinar assuntos complexos.

Eisner também escreveu livros ensinando narrativa gráfica. Além de criar HQs ele ensinou como fazê-las, nos livros “Comics and Sequential Art” (Quadrinhos e Arte Sequencial), “Graphic Storytelling and Visual Narrative” (Narrativas Gráficas). Artistas como Frank Miller, Alan Moore e Art Spiegelman já citaram Eisner como influência enorme. Ele ajudou a provar que os quadrinhos podiam ser literatura séria sem perder a força visual única da mídia.


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