Frederick Forsyth, o mestre do thriller

 

Frederick Forsyth, nascido em Ashford (Inglaterra), 25 de agosto de 1938, teve uma vida tão movimentada que muita gente diz que seus romances parecem “relatórios secretos transformados em ficção”. E isso não é exagero. Antes de virar escritor, o autor foi piloto da RAF (Força Aérea Britânica), jornalista internacional, correspondente de guerra, e colaborador informal de serviços de inteligência britânicos (MI6). Ele trabalhou para a BBC e para a Reuters cobrindo conflitos e crises internacionais na África, Europa e Oriente Médio. Durante a Guerra de Biafra, na Nigéria, ele ficou frustrado porque achava que a imprensa britânica escondia parte da tragédia humanitária. Essa experiência marcou profundamente sua visão política e seu jeito de escrever.

Em 1970, após nove anos de intensa carreira jornalística, Forsyth teve a ideia de escrever um livro onde poria à prova os métodos de investigação de sua atividade como repórter. Escolheu um tema romanesco e de certo modo misterioso: as tentativas da extrema direita francesa de assassinar o General Charles De Gaulle, presenciadas por Forsyth em 1962, em Paris. Nasceria assim o primeiro de sua longa lista de sucessos: “O Dia do Chacal”.

O diferencial deste livro foi revolucionário, ele tratou a ficção como se fosse um relatório jornalístico, usou detalhes técnicos minuciosos, criou documentos falsos, procedimentos policiais e descrições realistas e escreveu tudo com aparência quase documental. Isso mudou o thriller moderno. Um thriller é um gênero de narrativa criado para provocar tensão, suspense, ansiedade, expectativa, e sensação de perigo iminente. Forsyth ajudou a consolidar um subgênero chamado frequentemente de thriller político, techno-thriller ou thriller documental, na qual pegava um fato real e criava uma história com toda uma rede de conspiração e intrigas em torno. Muitos leitores acreditavam que certos métodos descritos nos livros eram reais — e em vários casos eram mesmo.

Dentre suas obras mais importantes, além de “O Dia do Chacal”, destacam-se “The Odessa File” (O dossiê de Odessa), sobre uma organização secreta ajudando ex-nazistas, “The Dogs of War” (Cães de guerra), inspirado em mercenários reais e golpes de estado militares na África, “The Fourth Protocol” (O quarto protocolo), sobre a Guerra Fria e infiltração nuclear soviética, “The Devil's Alternative” (A alternativa do diabo), Crise política global envolvendo URSS e petróleo.

O estilo “procedimental hiper-realista” dele influenciou filmes de espionagem dos anos 70 e 80, séries políticas modernas, thrillers de conspiração, e até videogames táticos. Muitos elementos vistos hoje em franquias como: The Bourne Identity, Mission: Impossible, e Metal Gear Solid têm ecos do estilo detalhista e operacional popularizado por Forsyth.


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